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Nasce primeiro bebê com DNA de 3 pessoas

claudiovalentin

com informações www.bebe.com.br

Sabe aquelas notícias que parecem ficção científica mas que, na verdade, já estão acontecendo no mundo real e deixando muita gente impressionada? É essa sensação que a novidade divulgada pela revista New Scientist está causando: de acordo com a publicação, veio ao mundo há cinco meses, no dia 6 de abril, o primeiro bebê que nasceu a partir de uma nova técnica que combina o DNA de três pessoas.

O tratamento de fertilização in vitro foi desenvolvido por especialistas americanos sob a liderança de John Zhang, do Centro de Fertilidade New Hope, de Nova York, nos Estados Unidos. E o que aconteceu no procedimento foi um troca: o núcleo do óvulo de uma doadora foi retirado e, no lugar dele, foi inserido o núcleo do óvulo da mãe. Depois dessa transferência, o óvulo foi fertilizado com o espermatozoide do pai. De acordo com as informações divulgadas, cinco embriões foram formados, mas apenas um se desenvolveu corretamente e foi implantado na mãe, que gerou um bebê saudável, com 0,1% do seu DNA do doador (DNA mitocondrial) e todo o restante do código genético – que definiu o tipo de cabelo e cor dos olhos, por exemplo – vindo da mãe e do pai.

Até o momento, essa forma de fertilização só foi aprovada no Reino Unido, mas o caso foi acompanhado pela equipe americana no México. Esse foi o local escolhido para o nascimento do pequeno (filho de pais jordanianos) exatamente por não ter regras quanto à realização desse tipo de procedimento – mas para Zhang, a inciativa se justifica pelo fato de poder salvar vidas. Em entrevista à New Scientist, ele afirmou que, a partir da transferência mitocondrial, o novo método tem o objetivo de ajudar famílias cujos pais têm alto risco de transmitir doenças genéticas aos filhos.

É a chamada família ectogenética, explica o advogado Rodrigo da Cunha Pereira, especialista em Direito de Família e Sucessões, com filhos decorrentes das técnicas de reprodução assistida. “A biotecnologia abriu a possibilidade de inseminações artificiais homólogas e heterólogas que associadas ao discurso psicanalítico, filosófico e jurídico, proporcionaram caminhos e possibilidades para a constituição de novas relações de parentesco. As formas podem variar entre inseminações artificiais homólogas, heterólogas, útero de substituição (barriga de aluguel). A partir daí surgiram as parcerias de paternidade/maternidade, isto é, pessoas que estabelecem contratos de geração de filhos, sem vínculo conjugal ou sexual, estabelecendo-se  apenas uma familia parental.
ILUSTRAÇÃO Niura Bellavinha para o Dicionário de Direito de Família e Sucessões – Ilustrado